GHB: A droga da vaidade
Por um lado, tonteira, riso solto e aquela sensação de que o mundo é
lindo e as pessoas são todas maravilhosas. Por outro, problemas
respiratórios e coma até mesmo por causa de pequenas doses. Este é o
GHB ou gamahidroxibutirato. Nome complicado, não? Seus efeitos também
são assim.
Segundo o psiquiatra Auro Lescher, médico do Programa de Orientação e
Atendimento a Dependentes da Unifesp (PROAD), o GHB é um hormônio
natural de crescimento do corpo. Entretanto, manipulado em
laboratório, a substância "tem sido usada e abusada por pessoas que
querem aumentar a massa muscular", completa Lescher. "Muitos jovens e
até adultos chegam ao meu consultório pedindo ajuda por causa do GHB.
Eles tomaram com o intuito de ter um corpo perfeito, mas o
psicológico e físico foram afetados de uma maneira ruim", completa o
psiquiatra.
Mas não é só em algumas academias, criminosas por sinal, que o GHB
está presente. Por causar um certo tipo de euforia, ele já faz parte
da vida noturna dos jovens. A substância é mais facilmente utilizada
porque é líquida, transparente e inodora. Seus efeitos negativos,
porém, são devastadores. Por agir como depressor do sistema nervoso
central, a droga está associada a casos de morte por overdose: esta é
precedida de perda de consciência e coma.
"Geralmente, esta droga é importada, assim como o ecstasy", afirmou a
pesquisadora Ana Regina Noto, integrante do Cebrid (Centro Brasileiro
de Informações sobre Drogas). O composto surgiu como anestésico de
uso hospitalar nos anos 60, nos EUA. Também já foi usado como
tratamento para distúrbios de sono. Mas os conseqüentes problemas
respiratórios causados por ele e a dificuldade de se calcular a
dosagem máxima permitida fizeram com que médicos abandonassem a
recomendação clínica.
Nos anos 80, a indústria do culto ao corpo reinventou o uso da
fórmula. Desta vez, como estimulante para o hormônio do crescimento e
o enrijecimento dos músculos. O público fisiculturista comprou a
idéia até que, em 1990, a Food and Drug Administration (FDA), órgão
americano que regula a indústria farmacêutica, declarou o produto
ilegal e inseguro.
Já nesta época, surgiram os primeiros indícios de uso do GHB como uma
droga para "diversão". Ele estava presente, por exemplo, no coquetel
de drogas que matou o ator River Phoenix, em 1990.